Pra onde vão os deuses quando morrem?

Deus do futebol que se fez carne, Maradona morreu como um mortal. Talvez tenha ido ao Olimpo conviver com outros deuses, mudar outras dimensões da existência. Por aqui, o mundo nunca mais será o mesmo

 

Só um ano como 2020 para matar o maior símbolo do futebol de todos os tempos. Diego Armando Maradona se foi em uma manhã cinzenta de quarta-feira na cidade de Tigre, na região Metropolitana de Buenos Aires. O imortal ídolo argentino foi-se embora enquanto dormia, parafraseando Belchior, “sorrindo, sem ligar pra nada”. Maradona, Deus do futebol que se fez carne, morreu como mortal.

Dieguito já não estava bem há tempos. Morreu aos 60, jovem. A verdade, bem verdade, é que Diego sempre existiu. Deuses não têm início. Maradona não tem.

Antes do nada, já havia Maradona. Antes de haver futebol, os deuses já existiam. Em algum lugar do espaço, do tempo, já havia Diego; bem como já havia Edson.

Maradona, um Deus-torto. Um Deus que passou dos limites em todos os aspectos de sua vida. Um ídolo que não deve ser seguido. Um Deus que se posicionou contra a desigualdade social, que sempre escolheu um lado, um Deus que fez mal a muitos, mas pior a si mesmo.

Maradona é o Deus do exagero. A começar pelo talento grandioso. Com uma perna só, Diego, Deus tal qual é, driblou todos os ingleses que apareceram pela frente em 86. Só parou dentro do gol. No mesmo jogo, alguns minutos antes, com a mão, o Deus-trapaceiro mandou uma bola para as redes. Em dois lances, Dieguito mudou a história do futebol. Naquela Copa, Maradona fez história com a maior performance individual de um jogador nos mundiais.

Maradona, o Deus-torto que se fez carne. Morreu como mortal.

Não sabemos para onde vão os deuses quando morrem. Maradona vai ficar aqui.

 

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