Nas eleições em Canaã dos Carajás, nenhum lado precisa sangrar

A 12 dias da votação que decidirá o futuro de Canaã dos Carajás, a dicotomia está gerando violência. Se socos e ofensas começam a ser trocados, corpos empilhados parecem ser questão de tempo. Sabendo que política não pode ser tratada como guerra, nenhum sangue precisa ser derramado

 

A dicotomia nunca fez bem a nenhuma democracia. Não é de hoje que sistemas democráticos vão à ruína quando o maniqueísmo político toma conta dos lados envolvidos na disputa pelo poder. Não há bem ou mal na política, apenas ideias opostas, interesses contrários, alas de pensamento, interpretações diversas da realidade. Nada acontece sem a política, ela é essencial, mas eleições não precisam ser campos de batalha.

Em Canaã dos Carajás, o robusto orçamento das contas públicas engrandece o olho de muitos. Por se ter ciência de que apenas um lado vai chegar ao poder, o pavor de não poder administrar tamanha receita transforma adversários em inimigos de guerra, ruas em campos de batalha e redes sociais em palanques depreciativos. Socos, pontapés e ofensas já estão sendo trocados nas ruas. Não importa quem seja eleito, ninguém sairá vencedor desta lastimável guerra.

É preciso entender, antes de qualquer coisa, que a política vai passar. Em poucos dias, Canaã terá escolhido seu novo governante e legisladores. Já não haverá dois lados; apenas um: o lado do povo. Todas as disputas, todas as ofensas, toda a pancadaria será em vão.

As eleições não são campos de batalha. Não precisamos empilhar corpos, não há porque derramar sangue. Em poucos dias, toda essa disputa já não fará sentido algum. Na política mais disputada da história dessa jovem Terra Prometida, a democracia precisa ser a vencedora.

A dicotomia jamais produziu bons governos. Aqui não será diferente. O respeito é essencial, antes que um dos lados acabe sangrando.

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