Canaã dos Carajás: vem aí o bloco ‘Aglomera que tem caixão pra todo mundo!’

Bares cheios, festinhas particulares e a certeza de que a pandemia já passou. Canaã dos Carajás perdeu o medo da Covid-19, mas será que esse bloco dos ‘sem noção’ já fez plano funerário?

“Aglomera, aglomera, aglomera que a Covid já passou nesse lugar. Aglomera, gente, aglomera que essa gripezinha já matou quem tinha de matar.”

Alô, Canaã dos Carajás: está liberada a temporada da infecção! Viva a nossa gente morta, os nossos corpos jogados pelo chão. Quem te viu, quem te vê: cemitérios lotados, gente morta nas casas, praças, hospitais. Ah, Canaã sem medo… Canaã que já aceitou a morte de tantos.

Os bares estão lotados, as festas voltaram, a aglomeração In Casa. Gente destemida! Gente com pulmões de aço, gente sem idosos na família, gente que se abraça e se beija numa confusão de músicas, signos e toda a sorte de doenças.

Tem gente pagando pra ver, achando a letalidade da Covid realmente muita baixa, pouco se lixando para as 25 mortes na Terra Prometida. São 25 mortes, mas ninguém se preocupa. São mais de 2100 infectados! (E daí?)

Nesse carnaval de ninguém, Canaã já voltou às ruas. É gente sem máscara na Weyne, é gente sem vergonha na cara, eles estão imunes à pior pandemia da história recente do planeta? Sei não, mas acho que nesse bloco todo mundo vai ficar infectado e passar adiante, numa estranha corrente, a letalidade macabra da Covid.

Vão morrer muitos! Sim, mas e daí, né? Olha lá na rua! Vem aí o bloco ‘Aglomera que tem caixão pra todo mundo!’

Em nome de INADIÁVEIS FARRAS, o canaense põe a sua vida e a de muitos em risco. Finge que não vê a morte na porta. “A gente quer é liberdade” diz o samba-enredo dos coronados.

Quer liberdade? Então toma! Atenção, funerárias! É hora de ganhar dinheiro! Viu? Nem tudo é notícia ruim.

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