Aceite, patriota de araque: o cinema brasileiro é um dos melhores do mundo

Imbecil, você mora no país que produziu Paraíso Perdido, Central do Brasil, Cidade de Deus, Que Horas Ela Volta?, A Máquina, O Homem que Copiava, Bacurau, O Ano em que Meus País Saíram de Férias e não precisa lamber bota de gringo. O cinema nacional precisa do apoio de todos nós

 

Sim, imbecil-lambe-botas da gringalhada, o cinema brasileiro é um dos melhores do planeta. Com recursos limitadíssimos, o país continua fazendo cinema de qualidade, emocionando o mundo inteiro e, infelizmente, sendo depreciado pelo preconceito brasileiro – incluindo o do próprio presidente.

Aceite, patriota de araque: o cinema brasileiro é gigantesco e está, seguramente, entre os cinco melhores do mundo. Se os Estados Unidos produzem “Era uma vez em Holywood”, o Brasil, com orçamento muito menor, produz Bacurau. Pra cada Cléo de “Roma”, há sempre uma Val de “Que Horas Ela Volta” – filme que já me fez chorar uma duzia de vezes com Regina Casé dizendo “Vá buscar, Jorge”.

O cinema nacional não perde em nada para a gringalhada toda. Se eles têm Kubrick, Tarantino, Spielberg e Scorsese, nós temos Glauber Rocha, Fernando Meirelles, Walter Salles, José Padilha, Anna Muylaert e Petra Costa. DiCaprio, Pitt, Hanks, Redmayne são brilhantes, é claro, mas Wagner Moura, Selton Mello, Matheus Nachtergaele, Julio Andrade e Jesuíta Barbosa também são geniais e em produções com orçamento infinitamente menor, sem nem um terço da publicidade americana.

No hemisfério de cima, Margot Robbie, Halle Berry, Angelina Jolie e Kate Winslet encantam com sorrisos e atuações. Aqui, Alice Braga, Alinne Moraes, Paolla Oliveira, Deborah Secco e Mariana Ximenes arrancam suspiros por onde passam e têm o nome guardado na história do cinema.

Para cada Meryl Streep, nós temos Fernanda Montenegro. Inclusive, nenhuma outra atriz no planeta, além de Fernanda e Meryl, seriam capazes de fazer aquela cena chocante de “A Escolha de Sofia” ou conseguiriam convencer como a amargurada Dora. Sim, estou dizendo que as duas atrizes se equivalem.

Se você despreza o cinema brasileiro, de certo nunca viu Central do Brasil, Que Horas Ela Volta, Paraíso Perdido, O Homem que Copiava, Meu Tio Matou um Cara, Cidade de Deus, A Máquina, Deus e o Diabo na Terra do Sol, O Cheiro do Ralo, Como Nossos Pais, Entre Nós, Temporada, O Último Cine Drive-In, O Som ao Redor…

Apesar do desprezo de boa parte do público e dos governantes, o cinema brasileiro é grandioso, colossal, arrebatador. Quem viu “De Onde Eu te Vejo” não pode ter a mesma visão sobre filmes brasileiros – não, você não tem esse direito.

O cinema do Brasil vai além de Leandro Hassum, Paulo Gustavo e Ingrid Guimarães.

Deixe de lamber botas dos gringos. Eles são geniais, mas como diria Jéssica, que passou na FAU e o Fabinho não, “eu só não me acho pior que ninguém, Val.” Jéssica estava coberta de razão; você não, patriota de araque.

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