Briga no grupo de família do Whatsapp

O tio bolsominion dispara fake news, o primo que saiu do armário manda figurinha de deboche, a mãe manda uma oração, seu irmão manda uma piroca por engano e apaga a foto, mas sua tia cardíaca já viu e infartou…

“Bolsonaro asfaltou a Transamazônica” publica o tio de extrema direita.

“É mentira!” retruca o primo petista.

Uma sequência de 16 fotos com antes e depois da rodovia que o PT não asfaltou em 156 anos no poder.

“Isso é mentira?” questiona o tio já zangado.

A briga continua. “Fascista” pra lá. “Burro” pra cá. Áudios nervosos com mais de um minuto. Baixaria mesmo.

Evangélica, sua mãe manda um vídeo com o Silas Malafaia orando.

O primo gay, que saiu do armário há alguns meses, manda várias figurinhas de deboche da Lady Gaga, da Beyoncé e da Katy Perry.

“Aff” você comenta, de saco cheio de tudo, larga o celular por 15 minutos e, quando volta, vê que 784 mensagens chegaram. “Pqp, mano” você pensa.

Quando tudo parece que vai se acalmar, seu irmão manda a foto de uma piroca no grupo. Carinhas de constrangimento, ele apaga a foto em menos de 1 minuto, mas sua tia cardíaca de 78 anos viu, tomou um susto e infartou. Não morreu, mas foi por pouco. Todo mundo se uniu pra socorrê-la e todo mundo foi visitá-la no hospital. Inclusive o tio bolsominion e o primo petista.

As brigas voltam no dia seguinte. “Tem mulher no grupo. Guarda essa piroca na calça” briga seu tio.

As gentilezas voltam. O duelo continua. Alguém gritou num áudio: “O que vamos fazer neste fim de semana?”

“Venham todos para minha casa!” pediu o tio bolsominion.

“Ok” respondeu o primo petista confirmando que ia.

“Estarei lá” avisa o primo gay.

“Vamos” confirma o pirocudo.

“Não vou poder ir” você avisa.

“Desunido! Se acha melhor que os outros?” te recriminam.

“Aff” você escreve e sai do grupo.

Te colocam de novo. Não tem pra onde correr.

 

 

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