Lembra de Carajás, princesa? Quem sabe a gente ainda tá lá…

Lembro dos domingos que a gente passou…

Uns mais belos, outros nem tanto… Mas, princesa, não paro de lembrar daquela tarde em Carajás. Lembra?

Penso no convite de supetão no banho: “Vamos ao cinema ver um filme?”

“Vamos!”

Ah, as tuas gratas surpresas. A gente foi. Lembro da voz do Toni no som do carro. “Seja você quem for, eu te conheço muito bem..” Era “Podes Crer” a canção.

Depois, o passeio, os abraços, os rostos conhecidos em meio a multidão de desconhecidos. A comida. Os filmes que não agradavam, os videogames quebrados, o macho competitivo que não aceitava perder pra uma fêmea. Os risos, o suor. Era alegria, minha menina. Tudo o que a gente tinha.

Depois, o lago. Depois, Carajás. A briga na portaria, lembra? Lembro que a gente quase deu meia volta, mas seguiu em frente. A subida a 20 por hora, o motor aquecido, as palavras duras.

Depois, Carajás, né, meu bem? Lembra? Lembra da minha cara amarrada? Do perdão pedido, do perdão concedido. Do abraço íntimo. Ah, meu bem… Do amor entreaberto. As cervejas no fim de tarde, selfies, palavras, um princípio de embriaguez.

Depois, areia, vexames da minha parte… Nunca vou esquecer da tua voz gritando em uma hora qualquer: “Meu orgulho!”. Um bloqueio, princesa. O primeira da minha vida, acredita?

Princesa, a gente deixou risos em Carajás. Depois, a janta,  a estrada e as tuas lindas palavras: “Eu queria que esse momento parasse agora”. Acredita, princesa, que tudo o que eu queria é que aquele momento tivesse, de fato, parado? Queria mesmo.

Lembra de Carajás, princesa? De tardes de domingo tão belas que parecem pertencer a vida de outras pessoas. E agora, princesa, isso ficou pra trás. Tal qual um borrão.

E tudo desandou quando a gente deixou Carajás pra trás. Quem sabe a gente ainda tá lá.

Quem sabe a gente devesse voltar.

(Foto: Reprodução)

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *