Deus, obrigado pelo sorriso dela; desculpa aí o ateísmo

Deus, há muito tempo não trocamos palavras, eu sei. Mas o senhor há de concordar comigo: esse silêncio não começou comigo. Entendo que a minha ausência foi de supetão, sem avisar nada, sem despedidas, sem pautas pra gente debater no dia seguinte… Sei disso tudo, Deus… Mas, olha bem, sumi porque você me pareceu estar online para outras pessoas e ignorar minhas mensagens… Tá, tá, Deus… Tudo bem, não vamos discutir quem se ausentou primeiro. Quero fazer as pazes.

Preciso, por meio desta coluna, reconhecer o seu talento. Depois de tantos anos, Deus, entendi o que diziam sobre a sua criação, sobre o seu capricho… eu compreendi o quão talentoso o senhor é quando vi o sorriso dela. Sim, Deus, o sorriso dela. O senhor sabe muito bem de quem eu estou falando, né? Sei que sabe, pois duvido muito que exista algum outro sorriso tão perfeito no mundo; tem não.

Quero lhe agradecer por isso, Deus. Agradecer porque esse sorriso, de repente, sorriu pra mim. Sei não se o senhor tem algo a ver com isso, mas ela me escolheu; simplesmente não há explicações. Deus, quando ela ri – o senhor sabe disso – as faces ficam rubras, os olhos se fecham, ela curva um pouco a cabeça e, olha, vou te contar: não tem como não se apaixonar.

O sorriso dela, Deus, é um convite para que o amor se renove dia após dia. Que talento o seu, Deus. Que talento!

Deus, talvez o senhor já esteja sabendo, a gente prometeu nunca soltar as mãos. A gente não vai, tá? Prometo! As nossas almas se reconhecem, Deus… De outros lares, de outros tempos, de outras vidas, talvez? Será isso, Deus? Tá, tá, esses mistérios que o senhor insiste em guardar… Fico com a tese dessas almas se reconhecerem de outras vidas. Acho mais poético.

Ah, esqueci de mencionar. O cabelo dela é outra obra de arte. Acho, e desculpa ficar tentando saber demais, que o senhor levou séculos projetando os detalhes, né? Tá, não precisa revelar a parte técnica, mas sei que é verdade. E, entenda bem, não estou falando só de beleza, tá? Tô falando de tudo o que esse sorriso e esse cabelo representam.

Não vou lhe pedir nada. Não tenho esse direito e nem acho que seria atendido. Quero só te agradecer, Deus, pelo sorriso dela, pelas mãos dela junto às minhas e pelo universo que conspirou, de um jeito absurdo, pra gente se encontrar.

Ah, desculpa o ateísmo e obrigado por tudo.

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