Pra falar do vasto léxico que mora na solidão

Quero falar de prisões.

De saudades.

De mensagens que só importam se forem de certa pessoa.

Do chão do banheiro.

Da água que cai na cabeça e que se mistura ao choro.

Das barras de chocolate sem porquê.

Dos tarja-pretas na gaveta do armário.

Das noites em claro imaginando o pior.

Das noites que chegam sem que se saiba o que se quer fazer.

Das crônicas esquisitas que se misturam aos dedos com unhas ruídas.

Quero falar do vasto vazio de horas que não passam.

De beijos que não vêm.

De medos que não passam.

De saudades problemáticas e irreversíveis.

Medo. Ansiedade. Depressão.

Mistério.

Incompreensão.

Passos contados.

Chão rabiscado por calçados.

Tristeza.

Mensagens que não vêm.

Stories silenciados.

Mãos atadas.

Dor nas juntas.

Dor nas costas.

Aperto no coração.

Isso não é um poema

Sobre o vasto e intragável léxico que mora na solidão.

São palavras jogadas no ar

Que não traduzem os cacarecos do sentir.

 

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